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Chegaram os exames, as férias e a Tasmânia! (semana 17)

Mais uma vez atrasado (não que seja uma novidade) mas aqui vai o post da semana passada!


Segunda-feira, 12 de Junho:

Chegada a semana de exames, segunda-feira foi dia de estar trancada na biblioteca a estudar para recuperar o trabalho perdido durante o semestre. Na pausa para o almoço, aproveitei e combinei com a Ciara e a Saoirse de forma a matar saudades e descobrir um bocado mais daquela que pode vir a ser a minha próxima casa aqui.

Depois de um dia cheio de estudo e de ir jantar a casa, à noite voltei para a biblioteca para aproveitar a novidade - pela primeira vez, a biblioteca da universidade está a funcionar 24/7 durante a época de exames. Estudo acabado, acabei por ir para casa de boleia com o Keegan e aproveitámos para pôr a conversa em dia. Depois de me cruzar com cinco veados ao lado da minha residência e de ir imprimir os meus apontamentos, lá me fui deitar e descansar.

Terça-feira, 13 de Junho:

Embora tivesse de ir entregar livros antes das nove à biblioteca, acabei por adormecer e deixar escapar o prazo. Assim, duas horas mais tarde e depois de já ter comprado bilhetes para um festival em Novembro (Spilt Milk em Camberra, onde vai a Lorde e o Vance Joy), lá deixei os livros na biblioteca e saí a correr para ir tomar o pequeno-almoço. Níveis de cafeína estabilizados, eu e a Abby sentámo-nos na biblioteca onde ficámos a preparar o exame dessa mesma tarde.


Estudo feito, lá fomos a casa deixar todas as nossas coisas, encher o estômago e seguimos com a Ana para o nosso primeiro exame na Austrália - Australia101 no auditório da Universidade das 18h 
às 20h. Como nos filmes americanos (embora valham cerca de 40/50%), aqui os exames são em auditórios ou pavilhões, lugares marcados e muito mais vigiados do que em Portugal. Depois de passarmos por um segurança que nos revistou as malas, tivemos de deixar as coisas dispensáveis cá fora e substituir os estojos por sacos de plástico transparentes - para verem o cúmulo a que isto chega, reclamaram porque a minha garrafa de água tinha uma rodela de limão lá dentro.


Primeiro exame feito - e embora já fosse de noite, lá fui eu estudar para o exame do dia seguinte.



Quarta-feira, 14 de Junho:


Com exame às 9h, lá atravessei eu o campus logo de manhãzinha. Desta vez o exame era no pavilhão de ginástica da universidade, misturando cerca de 10 cursos diferentes a fazer exame ao mesmo tempo. Motivada pelo começo das férias assim que acabasse o exame, lá se passaram as 3 horas de exame e lá respondi a todas as perguntas. 





Exame acabado, fui para casa para deixar os meus apontamentos e comer qualquer coisa e depois segui para o centro da cidade comprar lanternas e todo o equipamento necessário para a tasmânia e ingredientes para fazer bacalhau com natas - lanço-vos um desafio: comprar bechamel na Austrália.

Assim que acabei tudo o que tinha de fazer, lá voltei para casa para começar a preparar o bacalhau com a Abby que quase chorava com fome enquanto fritávamos as batatas - dou-vos uma dica: não usem papel higiénico a substituir o papel de cozinha para absorver o óleo das batatas fritas. 

Travessa de bacalhau e tarte de maçã acabadinhas de sair do forno, lá começámos o jantar que seria o último do apartamento 36 todo junto. Para responder às várias perguntas que recebi sobre a reacção deles ao bacalhau com natas: sinceramente, sinceramente, não faço a mínima ideia se gostaram ou não; disseram que estava óptimo (quem é que teria coragem de responder que não gostava?) mas não faço a mínima ideia se gostaram mesmo.




Depois de lavarmos a louça toda e arrumarmos a cozinha, fui ao andar de cima despedir-me da Ana. Como vou passar o resto da semana à Tasmânia, já não a volto a ver pois ela parte em breve para Bali. Uma vez lá em casa, também me despedi da Nelly e do Andreas que também não volto a ver deste lado do mundo (ou pelo menos este ano).

Despedidas feitas, lá voltei para casa para acabar a mala e escrever o post da semana passada (isto de continuar a escrever o blog tem sido uma luta contra mim própria).

Quinta, 15 de Junho:


Depois de preparar todas as coisas necessárias, de limpar a memória do telemóvel e acabar o blog, lá segui eu e a Abby para o comboio rumo a Sydney. E, para poupar o exagerado valor do comboio que pára no aeroporto, chamámos um uber desde a estação imediatamente antes até lá - é ridículo mas sai muito mais barato. Atendidas por uma funcionária super simpática que nos trocou os lugares de forma a ficarmos juntas e na saída de emergência (o que significa uma sesta com imenso espaço), lá fomos nós rumo ao norte da Tasmânia. Chegadas a Launceston, apanhámos um taxi para a estação de autocarro e seguimos para Hobart - como somos forretas (e embora a nossa carrinha alugada esteja em Hobart), decidimos voar para Launceston e apanhar o autocarro para Hobart numa tentativa de poupar dinheiro em vez de voar diretamente para a capital do estado. 

Uma vez chegadas e cheias de fome, seguimos a recomendação de alguém de Wollongong e fomos almoçar ao Daci Daci, o Moínho Velho ou a Vénus da Tasmânia. Como as refeições eram mais caras dentro da padaria, decidimos levar as nossas sandes para um parque ali perto e observar já a população desta ilha. E que bela decisão foi essa! Sentadas ao sol, estivemos a observar uma manifestação contra o corte orçamental na saúde enquanto, a 10 metros de distância, senhores engravatados davam voltas de triciclo à fonte de forma a superar um dos desafios de um peddy paper em que participavam.

Voltas e voltas dadas, lá nos declarámos perdidas e chamámos um uber para nos levar ao sítio onde íamos levantar a nossa carrinha para a viagem. Quinze minutos depois e chegadas a um armazém nos subúrbios da cidade, lá encontrámos 20 carrinhas com desenhos cómicos e percebemos que tínhamos chegado ao destino. Depois de entrarmos num escritório muito duvidoso, de nos serem entregues as chaves de um carro muito duvidoso e de levarmos um pack de lençóis e almofadas de igual nível de confiança, lá seguimos nós (com a Abby a conduzir) em direcção a um supermercado - foi também a viagem em que a Abby fez a sua primeira rotunda da vida a conduzir (e do lado esquerdo!). 


"You can catch flies with honey, but you can catch more honies being fly"



Enquanto a Abby fazia as compras, lá recebi uma chamada do Tony, o responsável pela gestão da minha residência, para falarmos do meu pedido para quebrar o contrato. Depois de lhe ter explicado todas as minhas razões, ele disse que ia falar com o superior mas avisou-me para não criar grandes esperanças porque tinha noção de que era muito difícil de o fazer (arranjar casa nova e pesquisar mobília não é criar grandes expectativas, right?).

Compras feitas, assim seguimos nós à procura de um campismo onde dormir a primeira noite dado que ainda não tínhamos grandes confianças com o carro nem em ficar lá dentro num sítio não vigiado. Assim, lá estacionámos no Camping Barilla, preparámos a cama, comemos qualquer coisa e enfiámo-nos na cama a tentar ver um filme mas adormecemos logo a seguir. 




Sexta-feira, 16 de Junho:



Depois de um pesadelo horrível em que estavam dois homens dentro da carrinha e depois do despertador tocar, lá acordámos as duas ainda de noite. Embora achasse que a Abby se tinha enganado a meter a hora no telemóvel e que eram cinco da manhã, vi então que eram sete da manhã e ainda estava escuro  - aparentemente na Tasmânia o nascer do Sol só acontece cerca de uma hora depois de Wollongong.

Para aproveitar tudo a que tínhamos direito, lá fomos tomar banho já que sabemos que isso vai ser um luxo durante a próxima semana. E, não fosse o cronometro a contar os 5 minutos a que tínhamos direito (com contagem decrescente a apitar no final!), tinha mesmo considerado aquilo um dos melhores duches da minha vida. 
Depois de prepararmos as nossas papas de aveia e tomarmos o pequeno-almoço tal família de férias numa casinha ao lado do lago, lá seguimos viagem comigo a conduzir. A seguir um trajecto que encontrámos na net e que passava por muitas terrinhas e sítios giros, chegámos a Port Arthur - uma cidade-prisão do reino Inglês, onde íamos passar o resto do dia. 



o outro lado da carrinha - "Mr. White can make blue can you?"


eu no meio do nada na Tasmânia

Tessellated Pavement - Pirate Bay

Port Arthur

Port Arthur

Uma das prisões em Port Arthur


 No meio de uma cidade de ruínas com vista maravilhosas, fomos dar uma volta de barco em que aprendemos um bocado mais sobre a gestão do espaço e vimos mais paisagens bonitas e depois juntámo-nos a uma visita guiada para descobrir mais sobre o sítio. Depois de termos ido também ver alguns edifícios por nós - por exemplo a prisão mais apertada em que não podiam falar, cantar, dançar, estalar os dedos e nem sequer olhar para qualquer outro prisioneiro, seguimos viagem para o Tasman National Park para passar lá a noite. 

Para aproveitar o pouco de luz que ainda estava, fizemos umas salsichas no barbeque do parque e jantámos lá, a quem se juntaram uns três ou quatro wallabies - quase o mesmo que canguru mas mais pequenino e fofinho. Coisas arrumadas, lá decidimos ir tratar de arranjar um sítio para dormir. Como a recepção do parque estava fechada, o pagamento das noites era feito através de postais. Depois de meter o dinheiro num postal e meter dentro de um cofre, tirava-se um papelinho a confirmar que se tinha pago na janela do carro. E, como eu e a Abby somos pessoas muito honestas, obviamente que tirámos o papel a dizer que tínhamos pago embora não tivéssemos posto um único cêntimo no cofre.

Abby a cozinhar com um wallaby ao lado


Trafulhice feita e lugar arranjado, lá nos preparámos para ir para a cama e vimos um filme ("something borrowed", a Abby impôs) até adormecer.



Sábado, 17 de Junho:


Depois de uma noite cheia de pesadelos em que sonhava que tinham apanhado o nosso truque para não pagar, saímos cedo do parque nacional com medo que se tornasse realidade. Assim, conduzimos até Sorell onde tomámos um café no McDonald's e aproveitámos a Wi-Fry deles (juro, chama-se mesmo assim).




Já com as indicações no Google Maps, seguimos para Freycinet National Park, o sítio que eu mais ansiava na viagem. Depois de irmos à recepção perguntar dicas sobre o que fazer, decidimos fazer a caminhada do Wineglass Bay Lookout pois era "o sítio das famosas fotografias que se vêm em todo o lado". No entanto, quando chegámos lá, ficámos desapontadas porque pelos vistos a receptionista não estava a falar das mesmas fotografias que nós. Assim, depois de tirar as fotografias suficientes para actualizar o instagram, voltámos para baixo e seguimos à procura de um sítio para dormir. 


Wineglass Bay Lookout


Chegadas a Friendly Beaches - o campismo grátis dentro do parque nacional, lá procurámos o lugar que mais nos agradava (que se veio a demonstrar também o lugar favorito dos wallabies) e estacionámos. Como ainda estava alguma luz, fomos dar uma volta à praia. E, no meio deste passeio, encontrámos outro animal. Gordinho, pequenino e peludo, o que mais tarde viemos a descobrir que era um wombat não olhou para nós nem uma única vez e continuou a comer o tempo todo. Voltadas ao carro, fizemos massa para o jantar e comemos enquanto vimos o Good Will Hunting.






Domingo, 18 de Junho:

Para aproveitar o sítio incrível em que estávamos estacionadas, domingo foi o dia de ver o primeiro nascer do sol a sério na Tasmânia. Por volta das oito e quando o sol já estava a brilhar, voltámos para fazer café e a aveia para o pequeno almoço para começar bem o dia. 
Depois de conduzirmos até ao centro do National Park e de pedirmos mais uns conselhos na recepção, decidimos fazer a caminhada mais difícil - subir o Mt. Amos. "Caminhada". ""Caminhada"". Embora sempre que tínhamos de escalar rochas ( e que era quase sempre) nos tivesse passado pela cabeça desistir, continuámos a subir o monte sabendo que a vista iria compensar (e como iríamos descer era um problema do futuro).

Nascer do Sol em Friendly Beaches



a vista aqui já prometia!


Chegadas lá acima depois de muito esforço, a vista não era menos do que esperávamos. Com uma amplitude gigante, no topo de Mt. Amos dá para ver a península toda e pode-se ficar lá durante horas que não cansa. Para aproveitar a vista e adiar a descida, ficámos um bocado no topo da montanha onde conhecemos um grupo muito simpático em que um era americano, pelo que ficámos a falar um bocado.




Topo do Mt. Amos



Depois de repor as energias a petiscar cenoura e de tirar fotos com a vista maravilhosa, decidimos começar a descer. Como a maior parte do caminho era tão inclinada, acabámos por descer a escorregar de rabo simplesmente para garantir que não caíamos como se fôssemos em pé. Chegadas quase ao fim da montanha, voltámos a encontrar o grupo que tínhamos conhecido no topo - a rapariga perdeu um gorro vermelho e estavam a voltar para trás para ver se o encontravam.







Já na carrinha, aquecemos o jantar do dia anterior enquanto éramos abordadas por um senhor da Malásia que estava fascinado com a carrinha e com a facilidade de viajar nela e nos fazia mil questões sobre nós. No fim de almoçar, decidimos ir visitar o resto do parque nacional (mas desta vez de carro). Na primeira paragem - honeymoon, embora tivéssemos ficado desiludidas com a praia, ficámos contentes em ter visto focas selvagens - depois de termos ficado séculos a tentar perceber o que eram as coisas que víamos no mar e da Abby ter pensado que era só lixo a flutuar, lá reconhecemos 7 focas lá a nadar. Depois de uma paragem breve no farol e outra em Sleepy Bay, conduzimos até ao parque de campismo pago para ver se conseguíamos tomar um duche quente sem dormir lá. Já preparadas para o duche e cada uma na sua casa de banho, descobrimos que aqueles chuveiros eram apenas de água fria e fomos a correr até à recepção implorar-lhes para nos deixarem ir dormir ao parque deles e ter um duche de água quente embora eles já tivessem fechado e desligado os computadores. Assim, já no campismo oficial, lá demos $2 para o nosso duche de 4 minutos desta vez não cronometrado e, portanto, sem nunca saber quando iria acabar a água.



Honeymoon Bay





Lighthouse




Sleepy Bay




Duche tomado, fomos ver a praia a 1 minuto do sítio onde íamos dormir, fizemos sopa e fomos para dentro da carrinha abrigar-nos do frio e dormir.





Para quem estiver a ponderar ir à Tasmânia, eu vou falar um bocadinho mais sobre a ilha no próximo post. No entanto, resumindo a minha opinião bem resumidinha: vão!!!

Até para a semana!!

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Os exames estão a chegar! (semana 16)

Acabadas as aulas, esta semana é dedicada à preparação dos exames. Com actividades como breakfast in the dark, oferta de sopa para quem está na biblioteca à noite e muffins a cair de paraquedas no meio do campus, os responsáveis pela parte do bem-estar na universidade decidiram criar a "Stress Less Week". Para além iniciativa para ajudar os alunos a lidar com a pressão, durante esta semana também há grupos de estudo para específicas disciplinas.

Segunda-feira:

Como não tenho nada para fazer em específico durante a semana, acabei por vir para Sydney. Depois de aproveitar para escrever o post da semana passada durante a viagem, o Arsénio veio-me buscar à estação e fui para casa da minha família. 
Depois do jantar em que aproveitámos para pôr a conversa em dia, ficámos na sala a ver televisão e eu pus-me a par das notícias globais. Como não temos televisão na residência, muitas notícias importantes acabam por nos passar ao lado. Assim, quando venho a Sydney aproveito sempre para saber um bocado do que se passa pelo mundo (e pelo país).


Terça-feira: 

Depois de aproveitar o silêncio maravilhoso de Sydney para descansar (irónico, não é?), decidi ir aventurar-me para lá da Sydney Opera House e finalmente descobrir o Jardim Botânico. Como não estava à espera que chovesse, quando começou a chover (e bem!) decidi meter-me debaixo de uma árvore para não ficar encharcada. A mesma ideia teve uma rapariga chinesa, que acabou por se esconder debaixo da árvore em que eu estava. E como a chuva não parava e não estávamos lá a fazer nada, começámos a conversar e acabei por descobrir tudo sobre a vida dela: vinda da China para tirar o mestrado em Engenharia Electrotécnica em Sydney, ela trabalha agora numa loja de massagem em Bondi Beach porque chegou à conclusão que não era feliz com engenharia. Para além disso, também me contou que estava ansiosa que a namorada dela chegasse à Austrália - a decisão de vir estudar para outro continente não passou só pelo facto de ter acesso a melhor educação aqui mas também porque ser gay na China é difícil. Assim, a seguir o conselho da mãe e porque o pai não aprovou a tua orientação sexual, ela mudou-se para a Austrália para tentar começar uma vida nova e sentir-se aceite na sociedade. Passado uma boa meia hora da chuva ter acabado, cada uma finalmente seguiu o seu caminho com uma lição de cultura na mão.






Quando acabei o meu passeio pelos jardins encharcados, o tempo já estava espectacular e não se via uma nuvem no céu. Assim, aproveitei o tempo e decidi ir dar mais um passeio, desta vez pelo distrito financeiro de sydney. No meio de homens de fato e gravata e mulheres de saltos todos com muita pressa, lá andava eu a passear e a descobrir um bocado daquilo. Embora me tenha acabado por sentar num café a ler um livro, a agitação dos senhores e senhoras importantes não acabou nem mesmo lá dentro - no meio do dia do trabalho, milhares deles vieram ao café onde eu estava (Como posso censurar, se mesmo eu escolhi o café a dedo por oferecer um chocolate Lindt na compra de uma bebida quente?).

Loja de fruta e vegetais no centro do distrito financeiro de Sydney

Depois de voltar para casa e de jantar, aproveitei para comprar os bilhetes de avião para as férias e programar um bocadinho mais da próxima aventura.


Quarta-feira:

Como o tempo estava terrível, quarta-feira decidi ficar em casa a descansar. A trovejar e a chover a potes o dia todo, há melhor coisa do que ficar na cama a ler ou ver um filme?



Quinta-feira:

Depois de ter recebido uma mensagem no instagram de uma rapariga do Texas a perguntar se estaria interessada em colaborar com a empresa dela me ter despertado a atenção (embora um bocado suspeita), quinta-feira de manhã ela ligou-me e tivemos uma entrevista pelo skype.
Mal acabou, segui para a estação de comboios e apanhei o comboio para Wollongong, decidida a voltar para casa para estudar um bocado e aproveitar a última quinta à noite do semestre.

Horas passadas em frente à secretária em que pelo menos planeei o meu estudo, fui-me arranjar para o jantar da Ana. Como faz 23 anos na sexta-feira, a Ana (a minha amiga eslovena) decidiu organizar um jantar de anos também em onda de despedida. Já prontas e munidas de garrafas de vinho para os convidados, lá seguimos as duas para o restaurante italiano: aparentemente, há vários restaurantes aqui em que podemos levar o nosso próprio álcool - embora isto seja normal em estabelecimentos que não tenham autorização para vender bebidas alcoólicas, neste restaurante o vinho também fazia parte da carta.

Depois de uma pizza maravilhosa com companhia que fazia parecer que estava na Escandinávia (num jantar de cerca de 15 pessoas, apenas eu, a Ana e dois americanos não éramos escandinavos), lá fomos todos juntos para o Hotel Illawarra, o bar típico das quintas-feiras,
Cansados passado pouco tempo, eu, o Johannes e a Nelly acabámos por voltar relativamente cedo para casa.


Sexta-feira:

No meio da minha luta para começar a estudar, recebi um e-mail a dizer que tenho de mudar de alojamento temporariamente: no seguimento de várias queixas e notícias na televisão sobre a qualidade do alojamento de old KB (foi encontrado um cogumelo a crescer no chuveiro num edifício perto do meu), os serviços de alojamento da UOW decidiram avisar-nos com 20 dias de avanço e durante a época de exames/férias que iam fazer remodelações e que nos tínhamos de mudar temporariamente para outro quarto (fornecido por eles).

Pior do que estragada depois de ler este e-mail, passei a sexta-feira toda a preparar o meu pedido para quebrar o contracto (que aqui é muito difícil e só acontece em resposta a queixas muito fortes), escrever a carta para anexar e ver as minhas opções caso o consiga fazer - como vou passar o próximo mês quase todo a viajar, a minha situação tem de ser resolvida o mais rápido possível para eu poder organizar as mudanças.

Sábado:

Depois de entregar o meu pedido de quebrar o contracto e assim oficializar a minha decisão, segui para a estação de comboios para ir para Sydney - como é dia de Portugal, a minha família de Sydney ia jantar fora a um restaurante português. Passados 45 minutos de viagem, a voz no interlocutor pediu-nos a todos para sair do comboio e continuar viagem até à próxima estação de autocarro - por causa das cheias, parte do caminho estava inundado e o comboio não conseguia passar. Assim, saídos do autocarro todos um bocado confusos, lá apanhámos os autocarros que estavam mesmo em frente e, surpresa das surpresas, chegámos à estação seguinte a tempo de apanhar o comboio suplente - super convencida de que isto não ia funcionar ou ia adiar a nossa viagem, consigo perfeitamente imaginar esta situação em Portugal (que aqui se resolveu tão rápido e bem!) a resultar em horas e horas de atraso.

Chegada a Sydney, lá seguimos para o restaurante português "Silvas". Afinal, o plano desta noite era apenas um jantar com um casal amigo que por acaso calhou no dia de Portugal e não um jantar para celebrar este dia como eu pensava. No entanto, depois de um bacalhau à lagareiro, viemos para casa comer um pastel de nata - haverá melhor maneira de celebrar o 10 de Junho?



Domingo:

Depois de um esforço para acordar cedo e realmente estudar alguma coisa, arrumei as minhas coisas e segui para a Biblioteca do Estado de New South Wales. E embora o nome soe a algo de jeito, a biblioteca não é mais do que um sítio com pouco espaço para cada pessoa e com uma internet de qualidade fraquíssima que me obrigou a usar os dados do telemóvel. E, para quem está habituada a bibliotecas de universidades, cheia de personagens características: à minha frente estava um senhor muito gordo muito gordo com uma calculadora e um livro de finanças apenas a decorar a mesa porque passou o dia todo a dormir (e ressonar!) enquanto via pedaços de um filme; ao lado deste, estava outro senhor que fazia sestas nas suas pausas de estudar o mapa do Japão que tinha na secretária. 

Quando a biblioteca chegou, lá segui eu para Circular Quay para esperar pela Ana pois decidimos ir ver o VIVID (festival de luzes) juntas. Assim, cheia de fome e no meio do caos de pessoas que decidiu sair à rua pois era véspera de feriado, lá andei eu durante duas horas com uma pausa no McDonald's (que estava caótico).

Assim que a Ana chegou, fomos dar um passeio para ver os Jardins Botânicos. Completamente cheio e com seguranças a controlar o fluxo de pessoas que lá entrava, ficámos bastante desiludidas com as atracções do VIVID que lá estavam (toda a gente nos tinha dito que era dos sítios mais giros). Depois de um passeio até The Rocks (uma das minhas zonas preferidas de Sydney), ficámos maravilhadas com uma das obras do VIVID e decidimos tirar uma foto juntas lá - ou pelo menos tentar, dado que cada pessoa que pedíamos para tirar era pior que a anterior.
Enquanto passeávamos ao lado da ponte, fomos abordadas por um asiático já velho que queria que lhe tirássemos uma fotografia com a sua máquina de rolo. Estendendo-nos para a mão uma máquina junta por fita-cola, lá tentámos tirar milhares de fotos, nunca resultando. Com pena do senhor e com mesmo vontade de ajudar, acabámos por ficar cerca de meia hora com ele e de tentar tirar mais de 10 fotos, entre as quais ele ajustava a fita-cola na máquina e dizia "Try again, try again".













Já esfomeadas, decidimos voltar para The Rocks para comer qualquer coisa. Assim, quando encontrámos uma hamburgueria, aproveitámos logo para ir fazer o pedido. Tal era a fome, nem pensei muito no que queria e escolhi a primeira opção do menu - o original é sempre bom, não é? Mas o arrependimento chegou ao mesmo tempo que o nosso pedido: depois de um ataque de riso da Ana, descobri que pedi um slider em vez de um hamburguer normal. Movida pelo arrependimento e pela fome, lá fui eu comprar outro para ajustar os níveis de comida ingeridos.

Depois de jantar, voltámos para a atracção de que tanto gostámos para tentar tirar uma foto boa. Assim, e depois de mais uma pessoa tirar uma fotografia horrível, lá escolhemos uma rapariga a dedo e lhe explicámos o objectivo, quase explicando em que posição é que teria de estar para a tirar. 
Numa corrida contra o tempo, aproveitámos também para ir dar uma volta nos baloiços com luzes (lembram-se daqueles com a música esquisita de que falei há uns tempos? Aparentemente dá para andar neles!!), sendo completamente apressadas com os berros das funcionárias e a Ana acabou por nem sequer ter oportunidade de baloiçar uma vez, apenas tirar foto e sair. Apanhado o último comboio para Wollongong e depois de uma caminhada até às residências à uma da manhã, lá voltámos as duas para a nossa vida normal.

Mil tentativas depois de tirar uma foto de que gostássemos 
Achei que também mereciam ver as más



E há mais...


Embora não se reveja muito nesta semana pelo meu estudo, para a semana é a semana de exames. Estou curiosa para ver como é que isto funciona do outro lado do mundo!





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Vivid, Chet Faker (Nick Murphy) and a beach bonfire (semana 15)

Acabaram as minhas semanas de aulas do semestre!
Aqui vai uma descrição de como foi a última:


Segunda feira, 29 de Maio:

 (Ainda em Brisbane)
Quando acordei, a Abby já se tinha ido embora. Como tinha uma aula obrigatória logo de manhã, ela acabou por comprar bilhetes num voo mais cedo e eu para um à noite porque era mais barato. Depois de arrumar as minhas coisas e garantir que nenhuma de nós tinha deixado algo para trás no quarto, fui fazer o check out e reservar o shuttle que me vinha buscar.
Sozinha em Brisbane, decidi fazer uma caminhada desde o hostel até à Story Bridge, uma caminhada  à beira rio que passa pelos jardins botânicos. Assim, quando cheguei aos jardins (e como o tempo estava maravilhoso), deitei-me ao sol na relva e aproveitei para ler um bocadinho (sim, Filipa, caso estejas à procura da Insustentável Leveza do Ser, eu roubei-te o livro no verão passado e trouxe-o comigo para o outro lado do mundo).

Jardim Botânico de Brisbane


Umas boas páginas depois, continuei o meu caminho até à famosa ponte. E, embora não estivesse à espera, este caminho ainda me fez gostar mais de Brisbane! Com o riosempre a acompanhar-me à direita, à esquerda o caminho estava cheio de prédios intimidantes de empresas conhecidas, cujos funcionários estavam todos de fato e gravata ou vestido e saltos cá fora sentados nas escadas a almoçar com vista para o rio.

Story Bridge à esquerda e Brisbane CBD à direita


Caminho feito até à Story Bridge (ponte mais famosa de Brisbane), decidi voltar pelo centro da cidade para comprar postais e almoçar qualquer coisa. Com uma saudade repentina de Portugal, decidi finalmente ir experimentar o Oporto – embora não seja comida portuguesa, a maior parte dos pratos tem frango grelhado e tem molho de prego e outras coisas típicas. Nada desiludida com o almoço, comecei a andar rumo ao hostel e de forma a passar no meio do jardim de Roma Street Parkland. Chegada ao hostel bastante cedo para garantir que apanhava o shuttle, aproveitei para adiantar mais umas páginas no livro.


Depois de apanhar o shuttle e de ficar um bom tempo à espera no aeroporto, lá apanhei o voo para Sydney, onde apanhei o comboio para Wollongong que, como era de esperar, vinha bastante vazio. Umas paragens depois, a minha carruagem ficou completamente vazia para além de mim e de um rapaz a uns bancos de distância. Depois de ele ir ver todas as outras carruagens e de comentar que era um bocado assustador por estar completamente vazio e até de luzes apagadas, conversámos um bocado e descobrimos que íamos os dois para a mesma paragem.

À meia noite e meia, quando cheguei a Wollongong, a Jess veio-me buscar e, quando cheguei a casa, tinha uma prenda à minha espera. Numa iniciativa das minhas residências, nas últimas duas semanas tivemos uma sessão de Random Acts of Kindness: do género de amigo secreto, cada um de nós recebeu um nome e, durante as duas semanas, o objectivo era tentar melhorar o dia a essa pessoa. Apesar de eu ter dado algumas prendas ao meu, tive as duas semanas sem receber nada. Até que, no último dia, cheguei a casa e tinha uma caixinha com o meu nome com uma Corona, uma caixa de lindt (!!!!), um bloco de post its e uma mensagem querida em português a desculpar-se por ter estado ausente e a desejar uma boa época de exames.





Depois de comer a pizza que estava em casa à minha espera, fui para o meu quarto e aterrei na cama.

Terça-feira, 30 de Maio: 


Depois de me obrigar a sair da cama para ir à aula práctica de MGNT110 por causa das presenças obrigatórias, lá voltei para casa e voltei a aterrar na cama.
Com a Abby a acordar-me para irmos à teórica de AUST101, acabei por começar a arranjar-me demasiado tarde para ir à aula. Às três e meia, no entanto, lá fui eu à aula práctica de ENGG461 (que, entretanto, vim a descobrir não ser obrigatória). Apenas com quatro alunos para além dos que estavam a apresentar o trabalho, a aula não durou mais do que uma hora.

Assim que cheguei a casa (e embora já seja um bocado tarde para isso), comecei a tratar do meu plano de estudos para o segundo semestre. Com base na opinião de vários colegas, andei a tentar encontrar as melhores disciplinas para ter e, sobretudo, os melhores professores.
Às oito, para substituir o típico Tea with TED, fomos todos para a rés-do-chão do edifício novo de Kooloobong (KB) para descobrir quem eram os nossos “amigos secretos”. Embora tenha valido o tempo por haver sempre um fornecimento de bolachas e miminhos, nenhum dos meus amigos secretos acabou por aparecer (nem a Rhiannon, para quem eu escrevia, nem a Shivona, que, entretanto, a Bec contou-me ser a minha amiga secreta e que lhes tinha ido pedir sugestões sobre o que me dar).

Quando voltei a casa, eu e a Abby aproveitámos para comprar os bilhetes para a Tasmânia e assim garantir que vamos ter a melhor época de exames de sempre.
Bilhetes comprados, lá fui eu enfiar-me no quarto para estudar para o último quiz online de MGNT110. Um powerpoint depois e completamente morta, acabei por decidir fazer o quiz sem estudar e depois fui dormir.


Quarta-feira, 31 de Maio:

Acordada com a nota do quiz que fiz na noite anterior, pelos vistos andei a perder tempo a estudar para isto durante o semestre: pela primeira vez não estudei para estes testes e, também pela primeira vez, tive 100%.
Pequeno almoço tomado, segui para a faculdade de engenharia para ir pesquisar mais sobre as cadeiras a ter no próximo semestre. Como o professor com quem queria falar não estava disponível, acabei por ir pedir conselhos ao meu professor de ENGG461 e de ENGG440, como fiz no semestre passado. Cheia de medo da reacção dele (este é o professor de quem toda a gente fez queixa e que tem tratado toda a gente mal no gabinete), ele reconheceu-me assim que eu disse que era estudante de intercâmbio de Portugal porque aparentemente sou das melhores alunas numa das disciplinas dele e ele reparou nisso. Assim, no meio da conversa, ainda me sugeriu eu fazer investigação em vez de uma das disciplinas. Com a promessa que ia pensar nisso durante os próximos dias, assim voltei para casa e comecei a pesquisar carros para alugar na tasmânia. 

Depois de uma pausa, comecei a escrever um reflective journal sobre a realização do trabalho de grupo de ENGG461. Com um relato de como o trabalho foi desenvolvido semana a semana e uma avaliação do desempenho de cada membro do grupo, este é o último trabalho do semestre (aleluia!). E, como já ia atrasada na realização do trabalho, tive de perder o State of Origin: jogo de rugby entre dois estados australianos (new south wales e queensland) que toda a gente vê.

Determinada a ficar em casa a tratar do trabalho para garantir que quinta poderia ir a sydney o dia inteiro, as minhas colegas de casa não aceitaram bem o facto de eu não ir sair. Em especial, a Abby começou-me a fazer pressão emocional por ser a última quarta-feira universitária dela. Depois de horas a dizer que não e de ser muito chateada pela Bec, às dez da noite lá fechei o computador, corri para o banho e lá fui sair com elas. Depois de uma boa noite no Heyday e no the Grand, lá voltámos e fomos meter as típicas pizzas no forno. 


Quinta-feira, 1 de Junho:

Chegou o dia esperado desta semana!
Depois da aula teórica de ENGG440 em que o professor referiu que seria a última aula da vida dele, o Jake decidiu começar a bater palmas e, a ele, juntaram-se os outros estudantes na sala (que não eram muitos, dado que era a última aula teórica do semestre e que não há exame para esta disciplina). Na aula prática, assistimos aos dois debates finais e, novamente, a uma despedida da professora em que ela refere o prazer que foi ter-nos como alunos e nos agradece a participação (tal como as apresentações no início do ano, este é o tipo de coisas que não estou a ver a acontecer numa aula em coimbra). Acabadas as aulas, aproveitei para ir ao gabinete do coordenador de curso falar sobre a possibilidade de eu fazer investigação aqui mas ele desaconselhou: qual é o sentido de vir para o estrangeiro fazer um programa de intercâmbio e depois não ter aulas?

Numa correria para ir a casa arranjar-me e preparar tudo, lá saí em direcção à estação de comboio com a Abby. Depois de uma viagem passada a dormir, chegámos a Sydney e apanhámos um tram para a Darling Harbour. Durante Junho, há um festival de luzes em Sydney chamado VIVID que abrange toda a área desde Darling Harbour até à Sydney Opera House, passando pelos jardins botânicos e ruelas de Sydney. Assim, decidimos fazer um passeio de uma ponta à outra para ver um bocado do festival. Com um efeito em geral bastante bonito, o festival também tinha várias atracções esquisitas e sem qualquer sentido (para quem tiver interesse em ver uma das atracções esquisitas, basta carregar aqui).




Sydney Opera House com luzes por causa do VIVID


Chegadas a Circular Quay, encontrámos a Elaine e a Diah que vinham connosco ao concerto. Depois de irmos comer alguma coisa nas barraquinhas de street food, fomos para a Sydney Opera House para ver o tão esperado concerto do Chet Faker (sob o seu nome verdadeiro, Nick Murphy).
Na sala principal que se revelou ser muito mais acolhedora do que o esperado, assim vimos o concerto do Nick Murphy que incluiu as clássicas do Chet Faker e muito bom ambiente. O ambiente melhorou ainda mais quando, a cantar a última música do concerto muito calma no piano, um copo começou a cair de degrau em degrau ao lado de nós, ecoando pela sala e gerando uma onda de riso. No meio da música, e enquanto o copo ainda rolava, ele lá olhou para nós e riu-se do que estava a acontecer.




Sydney Opera House por dentro!





Elaine, eu e a Abby com a Sydney Harbour Bridge iluminada por causa do VIVID


Quando o concerto acabou, lá seguimos para uma reposição de energias no McDonald's (Maccas) e apanhámos o comboio de volta. Chegadas a casa, recomecei o trabalho enquanto a Abby me fazia companhia - depois de ter reconhecido que só fui sair na quarta por causa dela, a Abby começou-se a sentir responsável pelo facto de eu estar atrasada no trabalho e prometeu-me que ia ficar acordada enquanto eu o fazia, disponível para ajudar. Uma hora depois, lá desistiu e foi dormir, enquanto eu fiquei a trabalhar.
Às oito e meia da manhã, já completamente de rastos, decidi desistir por hoje e fazer uma power nap, dado que tenho compromissos sexta às dez. 


Sexta-feira, 2 de Junho:

Depois de uma noite acordada a trabalhar no reflective journal, não sei bem onde acaba quinta e começa sexta. Após a power nap e de considerar muito se valia a pena ir ao RAMP às 10h, lá me obriguei a sair da cama e preparar-me. O RAMP é um programa de mentoring organizado pelas residências da universidade em que fazem um match entre estudantes (mentees) com alumni da universidade (mentors) cujo emprego seja parecido ao que o estudante ambiciona e que, assim, sirva para ajudar o mentee a escolher o melhor percurso e as melhores oportunidades. Como este era o primeiro dia de eu conhecer o meu mentor, o Greg, era muito mau faltar e, por isso, lá foi a Eva Zombie para o ponto de encontro.
A começar com um training dos mentees em que estive com o Jacob Szloch, entretanto fomos fazer uma visita guiada a Bangalay (residências mais modernas da universidade) e descobrir a maravilha de quartos que lá existem (sendo que os que foram mostrados, obviamente, não são para estudantes mas sim VIP). Na altura de conhecer os mentores, recebi a triste (revoltante, até) notícia de que o Greg não estava lá por ter tido um problema no trabalho. Assim, depois de dar um pouco de conversa à pessoa que meteram a substituir o Greg mas que tinha 0 a ver comigo, de me aproveitar do almoço grátis e de conhecer uma indiana que veio estudar para Wollongong por ter um casamento arranjado com alguém que vive aqui mas que acabou tudo com ela quando ela lhe contou que se ia mudar para a Austrália, lá fui eu para o campus buscar um café para começar a trabalhar.

Como encontrei a Ciara e a Saoirse enquanto esperava pelo meu café (e como adoro procrastinar), ainda nos fomos sentar no relvado da universidade a apanhar um bocado de sol e a pôr a conversa em dia. Depois disto, lá fui rumo à biblioteca para acabar o meu reflective journal, onde encontrei o Alren. Às quatro menos um quarto, numa correria para cumprir a deadline, eu e o Alren já fomos imprimir e submeter o trabalho, acabando assim oficialmente a disciplina. A caminho de casa, dei um saltinho na biblioteca para ir ter com o Devin e, mais uma vez, meter a conversa em dia.

Chegada a casa e sem conseguir dormir, acabei por me juntar à Jess numa ida às compras para repor o stock de comida cá de casa. Horas depois e completamente estafada, lá jantei e fui para a cama tentar dormir. Tentar. Como é o último dia antes de começar o "noise ban" das residências para permitir que toda a gente estude, as minhas colegas de casa decidiram convidar pessoas para vir cá antes de sair. Com a certeza de que não ia conseguir dormir antes de elas se irem embora, decidi aproveitar o tempo e escrever o blog da semana passada que, como é óbvio, se arrastou durante horas e horas. Mesmo assim, consegui acabar o blog antes delas se irem embora - às duas da manhã, depois de terem vindo para a porta do meu quarto para falar comigo e da Jess ter gritado (!!) também à porta do quarto "não acordem a Eva, ela precisa de dormir", lá decidiram que não iam sair e cada uma foi para o seu quarto.


Sábado, 3 de Junho:

Embora a ideia inicial deste fim-de-semana era ir acampar nas Blue Mountains, este plano teve de ser cancelado por não haver gente suficiente a conduzir. Assim, para fazer um plano alternativo, o Snowy e o Keegan decidiram organizar uma noite na praia de Stanwell Park e depois acampar lá.
Para repor as energias e como nunca mais se decidiam com pormenores, o meu dia de sábado só começou às quatro da tarde com uma mensagem da Ana a pedir detalhes para a noite. Numa confusão à última da hora para arranjar tenda e saco de cama, o Keegan acabou por dizer que podíamos dormir na carrinha dele e veio-nos buscar. Depois de uma rápida paragem no Dominos para ir buscar pizza para o jantar, o primeiro grupo encontrou-se na praia: o Keegan, a Ana, eu, a Elaine e o Snowy.

Descarregada toda a madeira para a fogueira (madeira toda bonitinha que ficou mil vezes mais barata do que lenha) e transportada para a praia, entretanto juntou-se mais uma rapariga (que trabalha com o Keegan) ao grupo. Fogueira já a dar calor e luz, lá ficámos à conversa e a ouvir música à volta da fogueira na praia, com um céu incrível cheio de estrelas e uma imagem muito bonita vinda da montanha ao lado com as luzes das casas e, de vez em quando, do comboio a passar. Entretanto, juntaram-se mais dois rapazes e uma rapariga ao grupo, enquanto a colega do Keegan foi embora. Assim, até às três da manhã, lá ficámos à conversa à volta da fogueira e debaixo de um céu estrelado que não se vê em qualquer lado.

Foi durante estas conversas que descobri que, pelos vistos, aqui já é Inverno - ao contrário das nossas, aqui as estações do ano começam sempre no primeiro dia do mês (o que, verdade seja dita, faz muito mais sentido do que a confusão do 21 e 22 que nós temos).
Depois de um tempo bem passado, lá fomos dormir para a carrinha do Keegan: em fevereiro ele comprou uma carrinha igual à "lisete" (a transporter com que eu e algumas amigas da lousã descemos a costa duas vezes) e, com muito trabalho e empenho, transformou-a numa campervan com cama que se transforma em sofá com uma mesa à frente.






Domingo, 4 de Junho:

Depois de acordar com o clássico calor matinal de dormir num carro ou tenda e com o barulho dos surfistas a começar o dia, o Keegan levou-nos até Stanwell Top para nos mostrar a vista incrível de lá. No caminho de volta, fizemos a estrada pela Sea Cliff Bridge, um dos pontos turísticos mais conhecidos de Wollongong - e a primeira imagem que qualquer estudante de intercâmbio tem da cidade depois de pesquisar na net.


Vista de Stanwell Tops


Sea Cliff Bridge (foto não é minha)

Embora estivesse completamente de rastos, a Carola, a Ciara e a Saoirse convidaram-me para ir a Sydney explorar um bocado mais do VIVID (o tal festival das luzes) e eu lá disse que ia.
Depois de tomar banho para me livrar do cheiro a queimado da fogueira e de me preparar-me, lá fui apanhar o autocarro. Ou tentar apanhar, dado que ele não apareceu. Assim, sem autocarro, perdi o comboio para Sydney e, embora quisesse juntar-me ao grupo, não aguentava uma hora à espera sem adormecer na estação, pelo que lá tive de cancelar os planos.

Assim, e porque a Ana também acabou por não ir a Sydney, convidei-a para ver um filme. Depois de muita indecisão sobre possíveis opções, lá escolhemos o "Lion". Que, obviamente que tinha de acontecer, teve de deixar de ser uma opção quando descobrimos que era em indiano e o RatoTv só tinha legendas em português. Acabámos por ver o Arrival, decisão da qual nos arrependemos passado pouco tempo do início.


Depois de ter muitas pessoas a perguntar do que é que tenho mais saudades de Portugal, agora já sei responder: definitivamente da cultura da comida que temos. Enquanto em Portugal se dá imenso valor à qualidade da comida e ao momento da refeição, aqui tentam ter sempre o mínimo trabalho possível com as refeições e compram quase tudo já feito (ou compram salsichas para meter no BBQ).


Escrevo isto a caminho de Sydney onde vou passar uns dias com a minha família para matar saudades, aproveitar para estudar para os exames e para alimentar-me de algo mais do que massa. Como daqui a duas semanas começam os exames, esta semana é a "Study Break" em que não há aulas (mas há sessões de estudo em grupo organizadas e com direito a snacks, que vou ter de perder).
Um beijinho muito grande a todos e boa sorte para os exames!

P.S.: Embora isto já venha com muito atraso (era suposto ter vindo no post em que falei da caminhada ao nascer do Sol), nunca cheguei a dizer que, quando eu e a Abby saímos de casa às quatro da manhã, encontrámos dois veados a passear entre as casas da nossa residência.

P.P.S.: Quando fomos aconchegar a Abby na cama na quarta-feira, descobrimos uns palm cards com frases em português. Decidida a aprender um bocado do nosso idioma, agora ouço um "Eu sou dos Estados Unidos" muito arranhado cerca de dez vezes ao dia


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