Acabadas as aulas, esta semana é dedicada à preparação dos exames. Com actividades como breakfast in the dark, oferta de sopa para quem está na biblioteca à noite e muffins a cair de paraquedas no meio do campus, os responsáveis pela parte do bem-estar na universidade decidiram criar a "Stress Less Week". Para além iniciativa para ajudar os alunos a lidar com a pressão, durante esta semana também há grupos de estudo para específicas disciplinas.
Segunda-feira:
Como não tenho nada para fazer em específico durante a semana, acabei por vir para Sydney. Depois de aproveitar para escrever o post da semana passada durante a viagem, o Arsénio veio-me buscar à estação e fui para casa da minha família.
Depois do jantar em que aproveitámos para pôr a conversa em dia, ficámos na sala a ver televisão e eu pus-me a par das notícias globais. Como não temos televisão na residência, muitas notícias importantes acabam por nos passar ao lado. Assim, quando venho a Sydney aproveito sempre para saber um bocado do que se passa pelo mundo (e pelo país).
Terça-feira:
Depois de aproveitar o silêncio maravilhoso de Sydney para descansar (irónico, não é?), decidi ir aventurar-me para lá da Sydney Opera House e finalmente descobrir o Jardim Botânico. Como não estava à espera que chovesse, quando começou a chover (e bem!) decidi meter-me debaixo de uma árvore para não ficar encharcada. A mesma ideia teve uma rapariga chinesa, que acabou por se esconder debaixo da árvore em que eu estava. E como a chuva não parava e não estávamos lá a fazer nada, começámos a conversar e acabei por descobrir tudo sobre a vida dela: vinda da China para tirar o mestrado em Engenharia Electrotécnica em Sydney, ela trabalha agora numa loja de massagem em Bondi Beach porque chegou à conclusão que não era feliz com engenharia. Para além disso, também me contou que estava ansiosa que a namorada dela chegasse à Austrália - a decisão de vir estudar para outro continente não passou só pelo facto de ter acesso a melhor educação aqui mas também porque ser gay na China é difícil. Assim, a seguir o conselho da mãe e porque o pai não aprovou a tua orientação sexual, ela mudou-se para a Austrália para tentar começar uma vida nova e sentir-se aceite na sociedade. Passado uma boa meia hora da chuva ter acabado, cada uma finalmente seguiu o seu caminho com uma lição de cultura na mão.
Quando acabei o meu passeio pelos jardins encharcados, o tempo já estava espectacular e não se via uma nuvem no céu. Assim, aproveitei o tempo e decidi ir dar mais um passeio, desta vez pelo distrito financeiro de sydney. No meio de homens de fato e gravata e mulheres de saltos todos com muita pressa, lá andava eu a passear e a descobrir um bocado daquilo. Embora me tenha acabado por sentar num café a ler um livro, a agitação dos senhores e senhoras importantes não acabou nem mesmo lá dentro - no meio do dia do trabalho, milhares deles vieram ao café onde eu estava (Como posso censurar, se mesmo eu escolhi o café a dedo por oferecer um chocolate Lindt na compra de uma bebida quente?).
| Loja de fruta e vegetais no centro do distrito financeiro de Sydney |
Depois de voltar para casa e de jantar, aproveitei para comprar os bilhetes de avião para as férias e programar um bocadinho mais da próxima aventura.
Quarta-feira:
Como o tempo estava terrível, quarta-feira decidi ficar em casa a descansar. A trovejar e a chover a potes o dia todo, há melhor coisa do que ficar na cama a ler ou ver um filme?
Quinta-feira:
Depois de ter recebido uma mensagem no instagram de uma rapariga do Texas a perguntar se estaria interessada em colaborar com a empresa dela me ter despertado a atenção (embora um bocado suspeita), quinta-feira de manhã ela ligou-me e tivemos uma entrevista pelo skype.
Mal acabou, segui para a estação de comboios e apanhei o comboio para Wollongong, decidida a voltar para casa para estudar um bocado e aproveitar a última quinta à noite do semestre.
Horas passadas em frente à secretária em que pelo menos planeei o meu estudo, fui-me arranjar para o jantar da Ana. Como faz 23 anos na sexta-feira, a Ana (a minha amiga eslovena) decidiu organizar um jantar de anos também em onda de despedida. Já prontas e munidas de garrafas de vinho para os convidados, lá seguimos as duas para o restaurante italiano: aparentemente, há vários restaurantes aqui em que podemos levar o nosso próprio álcool - embora isto seja normal em estabelecimentos que não tenham autorização para vender bebidas alcoólicas, neste restaurante o vinho também fazia parte da carta.
Depois de uma pizza maravilhosa com companhia que fazia parecer que estava na Escandinávia (num jantar de cerca de 15 pessoas, apenas eu, a Ana e dois americanos não éramos escandinavos), lá fomos todos juntos para o Hotel Illawarra, o bar típico das quintas-feiras,
Cansados passado pouco tempo, eu, o Johannes e a Nelly acabámos por voltar relativamente cedo para casa.
Sexta-feira:
No meio da minha luta para começar a estudar, recebi um e-mail a dizer que tenho de mudar de alojamento temporariamente: no seguimento de várias queixas e notícias na televisão sobre a qualidade do alojamento de old KB (foi encontrado um cogumelo a crescer no chuveiro num edifício perto do meu), os serviços de alojamento da UOW decidiram avisar-nos com 20 dias de avanço e durante a época de exames/férias que iam fazer remodelações e que nos tínhamos de mudar temporariamente para outro quarto (fornecido por eles).
Pior do que estragada depois de ler este e-mail, passei a sexta-feira toda a preparar o meu pedido para quebrar o contracto (que aqui é muito difícil e só acontece em resposta a queixas muito fortes), escrever a carta para anexar e ver as minhas opções caso o consiga fazer - como vou passar o próximo mês quase todo a viajar, a minha situação tem de ser resolvida o mais rápido possível para eu poder organizar as mudanças.
Sábado:
Depois de entregar o meu pedido de quebrar o contracto e assim oficializar a minha decisão, segui para a estação de comboios para ir para Sydney - como é dia de Portugal, a minha família de Sydney ia jantar fora a um restaurante português. Passados 45 minutos de viagem, a voz no interlocutor pediu-nos a todos para sair do comboio e continuar viagem até à próxima estação de autocarro - por causa das cheias, parte do caminho estava inundado e o comboio não conseguia passar. Assim, saídos do autocarro todos um bocado confusos, lá apanhámos os autocarros que estavam mesmo em frente e, surpresa das surpresas, chegámos à estação seguinte a tempo de apanhar o comboio suplente - super convencida de que isto não ia funcionar ou ia adiar a nossa viagem, consigo perfeitamente imaginar esta situação em Portugal (que aqui se resolveu tão rápido e bem!) a resultar em horas e horas de atraso.
Chegada a Sydney, lá seguimos para o restaurante português "Silvas". Afinal, o plano desta noite era apenas um jantar com um casal amigo que por acaso calhou no dia de Portugal e não um jantar para celebrar este dia como eu pensava. No entanto, depois de um bacalhau à lagareiro, viemos para casa comer um pastel de nata - haverá melhor maneira de celebrar o 10 de Junho?
Domingo:
Depois de um esforço para acordar cedo e realmente estudar alguma coisa, arrumei as minhas coisas e segui para a Biblioteca do Estado de New South Wales. E embora o nome soe a algo de jeito, a biblioteca não é mais do que um sítio com pouco espaço para cada pessoa e com uma internet de qualidade fraquíssima que me obrigou a usar os dados do telemóvel. E, para quem está habituada a bibliotecas de universidades, cheia de personagens características: à minha frente estava um senhor muito gordo muito gordo com uma calculadora e um livro de finanças apenas a decorar a mesa porque passou o dia todo a dormir (e ressonar!) enquanto via pedaços de um filme; ao lado deste, estava outro senhor que fazia sestas nas suas pausas de estudar o mapa do Japão que tinha na secretária.
Quando a biblioteca chegou, lá segui eu para Circular Quay para esperar pela Ana pois decidimos ir ver o VIVID (festival de luzes) juntas. Assim, cheia de fome e no meio do caos de pessoas que decidiu sair à rua pois era véspera de feriado, lá andei eu durante duas horas com uma pausa no McDonald's (que estava caótico).
Assim que a Ana chegou, fomos dar um passeio para ver os Jardins Botânicos. Completamente cheio e com seguranças a controlar o fluxo de pessoas que lá entrava, ficámos bastante desiludidas com as atracções do VIVID que lá estavam (toda a gente nos tinha dito que era dos sítios mais giros). Depois de um passeio até The Rocks (uma das minhas zonas preferidas de Sydney), ficámos maravilhadas com uma das obras do VIVID e decidimos tirar uma foto juntas lá - ou pelo menos tentar, dado que cada pessoa que pedíamos para tirar era pior que a anterior.
Enquanto passeávamos ao lado da ponte, fomos abordadas por um asiático já velho que queria que lhe tirássemos uma fotografia com a sua máquina de rolo. Estendendo-nos para a mão uma máquina junta por fita-cola, lá tentámos tirar milhares de fotos, nunca resultando. Com pena do senhor e com mesmo vontade de ajudar, acabámos por ficar cerca de meia hora com ele e de tentar tirar mais de 10 fotos, entre as quais ele ajustava a fita-cola na máquina e dizia "Try again, try again".
Enquanto passeávamos ao lado da ponte, fomos abordadas por um asiático já velho que queria que lhe tirássemos uma fotografia com a sua máquina de rolo. Estendendo-nos para a mão uma máquina junta por fita-cola, lá tentámos tirar milhares de fotos, nunca resultando. Com pena do senhor e com mesmo vontade de ajudar, acabámos por ficar cerca de meia hora com ele e de tentar tirar mais de 10 fotos, entre as quais ele ajustava a fita-cola na máquina e dizia "Try again, try again".
Já esfomeadas, decidimos voltar para The Rocks para comer qualquer coisa. Assim, quando encontrámos uma hamburgueria, aproveitámos logo para ir fazer o pedido. Tal era a fome, nem pensei muito no que queria e escolhi a primeira opção do menu - o original é sempre bom, não é? Mas o arrependimento chegou ao mesmo tempo que o nosso pedido: depois de um ataque de riso da Ana, descobri que pedi um slider em vez de um hamburguer normal. Movida pelo arrependimento e pela fome, lá fui eu comprar outro para ajustar os níveis de comida ingeridos.
Depois de jantar, voltámos para a atracção de que tanto gostámos para tentar tirar uma foto boa. Assim, e depois de mais uma pessoa tirar uma fotografia horrível, lá escolhemos uma rapariga a dedo e lhe explicámos o objectivo, quase explicando em que posição é que teria de estar para a tirar.
Numa corrida contra o tempo, aproveitámos também para ir dar uma volta nos baloiços com luzes (lembram-se daqueles com a música esquisita de que falei há uns tempos? Aparentemente dá para andar neles!!), sendo completamente apressadas com os berros das funcionárias e a Ana acabou por nem sequer ter oportunidade de baloiçar uma vez, apenas tirar foto e sair. Apanhado o último comboio para Wollongong e depois de uma caminhada até às residências à uma da manhã, lá voltámos as duas para a nossa vida normal.
Embora não se reveja muito nesta semana pelo meu estudo, para a semana é a semana de exames. Estou curiosa para ver como é que isto funciona do outro lado do mundo!
| Mil tentativas depois de tirar uma foto de que gostássemos |
| Achei que também mereciam ver as más |
| E há mais... |
Embora não se reveja muito nesta semana pelo meu estudo, para a semana é a semana de exames. Estou curiosa para ver como é que isto funciona do outro lado do mundo!
0 comentários:
Postar um comentário